Pilates na reabilitação neurológica

por Dra.Mara Renata Fernandes Pimentel

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A Dra. Mara Renata Fernandes Pimentel trabalhou durante dez anos na AACD (Associação de Assistência à Criança Defieciente),especialista em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP, mestre em Ciências da Saúde pela UNIFESP e co-autora do livro “Fisioterapia – Aspectos Clínicos e Práticos da Reabilitação” – Editora Artes Médicas, escreveu um breve texto para seus alunos de seus cursos de Pilates e divide conosco pela Spazio Solare, sendo ela uma das proprietárias.

A importância do Pilates na reabilitação neurológica se dá pelo enfoque que a técnica possui que se assemelha muito com as técnicas utilizadas em pacientes neurológicos: o despertar do centro de força, a pelve estabilizada, as articulações livres, os músculos com controle, a consciência corporal presente.

O paciente neurológico precisa muito de tudo isso. Sem um tronco onde se tenha um equilibrio entre abdominais e extensores, sem uma pelve com um bom controle, sem uma coluna flexivel, como reaprender a se movimentar?

A reabilitação é uma fase de reaprendizado motor, onde tudo passa a ser novo, tudo precisa ser ensinado novamente, passo a passo.

Durante o tratamento , utilizo o método em pacientes com Acidente Vascular Encefálico, Trauma Crânio Encefálico, Lesões Medulares, Amputados e Portadores de Poliomielite com objetivos de ganhar flexibilidade, segmentação vertebral, mobilidade e estabilidade articular, força e controle muscular, melhora de equilibrio em diferentes posturas, trabalho respiratório, consciência corporal visando uma independência funcional com uma melhora na qualidade de vida.

Tudo isso consigo através do Pilates de uma maneira mais rápida e efetiva. Os exercícios são dinâmicos, desafiadores e permitem uma ampla variedade que faz com que possamos sempre montar uma terapia diferente a cada dia. Tenho obtido ótimos resultados e os pacientes referem uma melhora da força, relatam que passaram a perceber onde está cada parte do corpo e como fazer para sentí-las e acioná-las, dizem até que perceberam uma melhora na qualidade do sono.

Exemplos de patologias e do uso do Pilates:

1- Poliomielite: Para esse pacientes onde a consciência corporal é totalmente distorcida, o pré-pilates tem tido um efeito muito

benéfico, pois permite mobilizar todas as articulações com a participação ativa do paciente, tendo assim um feedback muito maior.

2- Lesões Medulares: em pacientes com lesões medulares incompletas que possuem perdas constantes de urina, o trabalho de acionamento de períneo contribui muito a despertar novamente o controle tanto em homens quanto em mulheres. Em lesões medulares completas, onde se tem tronco e membros superiores (MMSS) preservados, o trabalho de abdominais e fortalecimento de MMSS tem grande benefício na melhora da força e do condicionamento fisico.

3- Acidente Vascular Encefálico e Trauma Crânio Encefálico: precisam muito de um tronco forte, estável e ao mesmo tempo móvel para reaprender a marcha. O Pilates proporciona um ótimo desenvolvimento de força e controle abdominal além de enfatizar sempre a segmentação e mobilidade vertebral.

Pacientes neurológicos possuem um grande desperdício energético pois se utilizam de muitas compensações para realizar movimentos simples, além de terem um padrão respiratório geralmente inadequado por falta de musculatura ou pelo próprio dano neurológico. Com o Pilates conseguimos mostrar ao paciente a forma correta de respirar, os musculos certos q devem ser acionados para cada movimento preservando sua reserva energética.

Possuem alterações musculares, como a espasticidade, que limitam o uso de carga para o ganho de força. Por tudo isso, o Pilates mostra que podemos ganhar força sem usar peso e sem sobrecarregar articulações e que é uma técnica ilimitada, usada nos mais diversos ramos da reabilitação.

3Dra Fabíola Cristina Fernandes, Mabel Cabrera e Dra Mara Renata Fernandes Pimentel – PMA® Certified Pilates Teachers

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